O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior começa a sentir o outro lado da política, numa altura em que se avizinham às eleições gerais em Angola. Com um adversário habituado a contornar os obstáculos a todos os níveis, o líder do maior partido na oposição, está sob mira de todas as armas pesadas dos camaradas, sendo que ainda estão a ser usadas as de pequeno calibre.
Depois de Rui Galhardo, de 62 anos de idade e militante do galo negro desde 1975, ter acusado a liderança do partido de promover a descriminação, o culto de personalidade e a cultura do radicalismo, seguiu-se Amadeu da Conceição Faustino Cortez, ex-dirigente da UNITA, que acusou este partido político de promover manifestações para desacreditar o Governo e desestabilizar o país. Ou seja, em menos de 15 dias, dois militantes da UNITA “atacaram” o líder publicamente.
Conforme Amadeu Cortez, foi mais longe e acusou Adalberto de estar a mobilizar antigos militares para realizarem mega manifestações e distúrbios, a fim de chamar a atenção das comunidades nacional e internacional sobre a realidade angolana.
O antigo tenente-coronel dos Serviços de Inteligência da UNITA, com formação no Togo, na República Democrática do Congo (RDC) e na África do Sul, adiantou que antigos militares "têm sido aliciados" com promessas de enquadramento em altos escalões da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (FAA), caso o partido ganhe as Eleições Gerais de 2022.
E quando se pensava que o ‘teatro’ na UNITA já estava a cair o pano, eis que ontem, quarta-feira, 31, o secretário provincial para a mobilização urbana desta formação política em Luanda, Kawikh Sampaio da Costa, em conferência de imprensa, anunciou que abdicou do cargo, e comparou acusando Adalberto Costa Júnior a Adolf Hitler.
Kawikh considerou o líder da UNITA como "falsário e mentiroso compulsivo”, com dificuldades de provar o seu título de engenheiro e a renúncia efectiva da nacionalidade portuguesa.
“A UNITA deve assumir o erro de eleger para presidente alguém que não está em condições de ser cabeça de lista em eleições, nem de candidato a Chefe de Estado, por ser filho de português e de uma cabo-verdiana, e por ser incapaz de provar a renúncia da nacionalidade paterna”, salientou.
Tsunami na UNITA?
O militante do galo negro disse fazer parte de um grupo de militantes que se opôs à candidatura de Adalberto Costa Júnior à liderança da UNITA, pelo facto de o mesmo apresentar apenas ao partido um recibo da solicitação de renúncia da nacionalidade portuguesa, e nunca o respectivo deferimento.
Kawikh Sampaio da Costa denunciou ainda aquilo que considera práticas tribais e de nepotismo no partido, argumentando que 99 por cento dos secretários provinciais e comissários da UNITA na Comissão Nacional Eleitoral (CNE) são originários da região centro-sul e parentes de altos dirigentes do partido.
Próximas armas dos camaradas
Para um adversário astuto como é o MPLA, Adalberto deve estar preparado para perder algumas pedras secretas do seu xadrez. Há exemplos de sobra no seio dos maninhos, que mesmo na época da presidência do líder fundador, abandonaram o partido para se juntar às fileiras do MPLA.
O facto de Adalberto ser 'ignorado' no almoço convocado pelo Presidente da República, João Lourenço, no quadro do Dia da Paz, onde irá o ex-presidente da UNITA, Isaías Samakuva, bem como outras figuras históricas do país, mostra como os camaradas não querem por nada tratar com Costa Júnior.
Em tempos de crise, o MPLA é campeão de virar resultado e derrotar o adversário a goleadas.


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